O Arquivo Insular Atlântico como Memória Global: A Propósito das Atas de Vereação do Funchal (1470-1600)

Autores

  • Nuno Mota

Resumo

Este artigo defende que a colonização dos arquipélagos atlânticos nos séculos XV e XVI, particularmente a da Madeira, foi fundamental para os primórdios da globalização e da modernidade. Sustenta que estas ilhas forneceram matrizes de desenvolvimento que foram cruciais para o contexto atlântico mais alargado e que os seus arquivos devem ser vistos como representativos da memória global. Utilizando a Madeira e as atas da câmara do Funchal (Vereações) como estudo de caso, a análise revela a ilha como um “laboratório da modernidade”, pioneira em modelos e soluções institucionais, económicas e sociais influentes, intimamente ligados à produção de açúcar e às primeiras manifestações do complexo de plantação da Época Moderna. O estudo destaca a “singularidade toplógica” única daquilo a que nos podemos referir como o “arquivo insular atlântico”, intrinsecamente ligado à humanização inicial dos espaços arquipelágicos. Conclui que a valorização destes arquivos é essencial para compreender as origens da modernidade para além das narrativas e de um olhar historiográfico de cariz nacionalista, reconhecendo estas ilhas como eixos vitais de processos globais.

Palavras-chave: Madeira; Arquipélagos Atlânticos; Modernidade; Globalização Inicial; História Insular; Arquivos Insulares; Memória.

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Publicado

2026-06-26

Edição

Secção

Estudos / Ensaios