Uma Fazenda em Santo António e seus Administradores: Subsídio para o Estudo das Instituições Vinculares na Madeira (Séculos XVI-XIX)

  • Teresa Florença

Resumo

Contribuir para o conhecimento das instituições vinculares (morgadios e capelas) na ilha da Madeira é um dos objetivos deste estudo de caso. Tem como ponto de partida a capela fúnebre instituída em 1569 por Domingos Braga e sua mulher Beatriz Nunes, imposta na sua fazenda localizada em Santo António, termo do Funchal.
Numa primeira parte tentamos compreender as implicações sociais e económicas, seguindo ao longo do tempo o processo de transmissão do vínculo a herdeiros/administradores, até à sua extinção com a reforma vincular, iniciada em 1860.
A análise da documentação, em particular dos testamentos, motivou outro tipo de abordagem que se apresenta numa segunda parte do estudo: a salvação da alma. Permite conhecer a espiritualidade e a religiosidade vividas e observar as motivações que, durante séculos, levaram homens e mulheres a vincular os seus bens, tornando-os indivisíveis e inalienáveis. A implicar, ad aeternum, irmãos, filhos, sobrinhos e outras pessoas de confiança sobrecarregando-os economicamente com o cumprimento de disposições testamentárias: esmolas, missas e outros encargos pios. Modos de agir e de pensar entendíveis pelo medo, pela profunda religiosidade. Pois em causa estava a salvação da própria alma, a vida eterna.


Palavras-chave

Madeira; Vínculos; Morgadios; Capelas; Salvação; Alma.

Publicado
2020-10-06
Edição
Secção
Artigos / Ensaios