A Confraria e a Capela de Nossa Senhora da Boa Morte, na Igreja de São Pedro, no Funchal (1646-1846) – Organização, Atividades e Património

  • Paulo Ladeira

Resumo

A capela de Nossa Senhora da Boa Morte, situada no lado do Evangelho da igreja de São Pedro, no Funchal, foi fundada, na década de 30 ou 40 do século XVII (antes de 1646), por Manuel Soares, onde foi sepultado em novembro de 1651. Manuel Soares deixou, em testamento, um foro para reparo da capela e uma pensão de missas por sua alma e de sua mulher.
Na capela, em 1646, foi instituída a confraria de Nossa Senhora da Boa Morte, considerada «hũa luzida Irmandade», por Henrique Henriques de Noronha, em 1722. A confraria aceitava irmãos de toda a condição social e tinha por principais objetivos a salvação da alma e o culto a Deus e a Nossa Senhora.
A confraria subsistia através de legados, esmolas de entrada dos irmãos, esmolas anuais, esmolas de eiras e lagares, arrendamento de fazendas e casas e, principalmente, rendimentos de juros do dinheiro emprestado. As receitas eram empregues nas despesas correntes com o culto, tais como em missas, ofícios, cera, festividades, procissão e obras da capela.
A confraria de Nossa Senhora da Boa Morte, na década de 70 do século XVIII, remodelou a capela construindo um novo retábulo, em estilo Rococó, com risco e orientação do pintor canarino João António Villavicêncio, mestre das obras reais da Madeira entre 1781 e 1796. Nas obras da capela trabalharam os mestres mais requisitados neste período na Madeira.
A confraria alcançou o apogeu nos anos 60, 70 e 80 do século XVIII, tendo decaído na década seguinte em consequência de fatores políticos, económicos, sociais e religiosos, o que conduziu à sua extinção em 1846.
Neste artigo analisamos a estrutura organizativa da confraria de Nossa Senhora da Boa Morte, as ações religiosas, sociais e económicas desenvolvidas, a construção e manutenção da capela e do seu património religioso e artístico, grande parte, ainda hoje, à vista de fiéis e visitantes.


Palavras-chave

Confraria; Pintura; Retábulo; Talha; Rococó; João António Villavicêncio; Julião Francisco Ferreira; Nicolau Ferreira; Freguesia de São Pedro; Funchal.

Publicado
2020-10-06
Edição
Secção
Artigos / Ensaios